"Na Incoerência das Eras".
“Um pouco de pão, um pouco de água fresca,
a sombra de uma árvore e os teus olhos!
Nenhum sultão é mais feliz do que eu...
Nenhum mendigo é mais triste...”
Omar Káyyám.
Sim, era inverno, início de inverno. Noite esplêndida. Madrugada fria. Olhávamos aqueles exércitos de estrelas; o universo girando e expandindo a nosso redor.
Nesta época do ano minha cidade tem o céu limpo, abissal, gigantesco e espantoso, sempre a nos sufocar diante de nossa pequenez. E aquelas estrelas que forravam o céu como nunca, eram sim, exércitos. Talvez exércitos de anjos – ou de deuses – observando a nós, pobres mortais. Quem sabe nos estudando, invejosos, não nos compreendendo, perdido que estamos dentre nossos conflitos sentimentais e emocionais. Mas, esta era uma noite mágica, pois deitada naquele gramado havia uma linda garota a me acompanhar, compartilhando comigo da beleza daquela noite única. Sorríamos abraçados e de mãos dadas. Podia-se até sentir a umidade que exalava da grama verde. No entanto, isto não nos incomodava – já que estávamos prevenidos e bem agasalhados ante a severidade da noite –, muito pelo contrário, aquilo servia para nos unir mais ainda com a natureza que nos cercava, com o universo todo, que parecia pertencer somente a nós, naquela bela noite.
E com certeza, espantados estariam os deuses, a me observar lá do Olimpo (no céu, visível mesmo, estava apenas o deus-pater greco-romano, pois era possível ver o planeta Júpiter, brilhando imponente entre a cauda da Serpente e as flechas de Sagitário), e estariam espantados, repito, sem poderem conceber como a vida na terra nos deixa a um passo do inferno (do coração das trevas), assim como a poucos segundos do paraíso, que quando chega nem demora tanto [ vide postagem anterior ].
Digo isso tudo, porque há poucos dias atrás havia me sentido sim, às portas do inferno. Sei que pode ser exagero meu, mas é como sinto, desprezado que fui por uma bela garota que, naquele momento, detinha a posse de meu coração. Como é duro ser desprezado, incompreendido e descartado. Foi o inferno para mim. Contudo, passado esta semana, estes dias, cá estou tão perto do paraíso que bastaria um passo apenas para ser aceito no reino dos céus.
E foi assim que beijei aquela linda garota que me aquecia o corpo e o coração; foi assim, em minha alegria infinita, que beijei a noite e as estrelas, daquele universo infinito.
Aahhh... e quem me desmentirá, se disser, que até vi estrelas mudarem de lugar no céu, só para poderem nos observar melhor.
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