Querubins.
ficam encantadas..."
Guimarães Rosa
![]() Assine nosso feed. ![]() // TAG RANKING
Adicione este tradutor em seu site
[clique aqui].
![]() Esta é uma campanha que visa incentivar a leitura. É uma prática conhecida como “bookcrossing”, e consiste em deixar um livro “perdido” voluntariamente em algum lugar público, para que as pessoas possam desfrutar de uma leitura inusitada.
Se você encontrou algum livro perdido, digite o código acima e nos diga onde o encontrou. Aproveite e veja por onde o livro já voou... [leia mais] Participe, e divirta-se!
Deixe os livros voarem!
Acompanhe as séries: Posts recentes: NA INCOERÊNCIA DAS ERAS:![]() DELÍRIOS MUSICAIS: ![]()
// LEMMY GODKILL (quadrinhos) ![]() // LUIZ DIAZ ![]()
// DESAPARECIDOS ![]()
DANILO HENRIQUE VICENTE Desapareceu em: 28/02/2003 ++++++++++++++++++++ ![]()
RAFAELA REGINA DE MATOS Desapareceu em: 19/10/2007 ++++++++++++++++++++ E-mail: pessoasdesaparecidas@ssp.sp.gov.br ++++++++++++++++++++ INSANOS,já visitaram esta página,
em mais de 20 países.
|
“Ó, SERES FRACOS DE VONTADE E DE ESPÍRITO! GENTE DE POUCA FÉ! QUE NÃO APRENDEM NEM COM O AMOR, NEM COM A JUSTIÇA; NEM COM O FERRO, NEM COM O FOGO! POBRES DEGREDADOS FILHOS DE EVA! POSSUIDORES DE CORAÇÕES DE PEDRA, QUE NEM O SANGUE DERRAMADO DE CRISTO, FOI CAPAZ DE TOCAR; QUE NEM OS OLHOS LACRIMOSOS DA VIRGEM MARIA, SÃO CAPAZES DE ENTERNECER. CONTINUARÃO A VIVER EM GUERRAS, E RANCORES; HÃO DE ENFIM SUCUMBIR A FOME, AOS DESASTRES E HECATOMBES. SE PERDERÃO EM SUA VAIDADE E AMBIÇÃO; QUERERÃO POSSUIR OS CÉUS; QUERERÃO ASSENTAR-SE A MEU LADO MESMO SEM MERECER; MAS DECAIRÃO COMO LÚCIFER; POIS, HOMENS E ANJOS, FORMEI-OS DE TODO LIVRES, E LIVRES SERÃO SEMPRE, MESMO QUE INSANOS”. Sandro CôdaX 16 July 2006
Querubins."As pessoas não morrem, ficam encantadas..." Guimarães Rosa Era um incêndio. Muito fogo, estalidos. A casa ameaçava desabar. Os bombeiros não chegavam nunca. Uma mulher, desmaiada na calçada; os vizinhos pareciam hipnotizados pela enorme fogueira. A casa era nova, ninguém entendia nada, nem conheciam os novos moradores. Logo, o marido chega. Grita de desespero, corre até a esposa; e depois pergunta pelo bebê. Bebê, que bebê? Ninguém sabia de nada. O homem quase enlouqueceu, ou melhor, enlouqueceu sim. Entra correndo na casa. Muito fogo, estalidos. A casa ameaça desabar. Porém, aquele homem, aquele marido – aquele pai – não pensa em mais nada. Queima-se todo, estropia as mãos, caminha já quase cego em meio as labaredas que lhe lambe a face. Muito, mas muito fogo mesmo, estalidos. E a casa ameaça desabar. O pavimento térreo já quase não resiste; o assoalho cede, o pé afunda; a vista falha, o pulmão já não agüenta mais. O homem desespera-se, e sente asfixiar-se. Contudo, não se rende: junta toda sua fé, toda sua esperança e força, e caminha. Caminha como pode, até o pé da escada. Precisa atingir o pavimento superior, o quarto do bebê. O estranho é não ouvir o choro – o bebê não chorava. – Seria tarde? Teria ele, chegado tarde? O homem desespera-se por outra vez. Começa a subir a escada, tomada pelas chamas. Fogo, muito fogo, estalidos. A casa sempre ameaça desabar. E a escada desaba. O pobre homem, o pobre marido – o pobre pai – desaba junto. Fogo, muito fogo, estalidos. O homem agoniza. Ergue sua fronte; vê que todo o fundo da casa, já não existe mais. Sua carne queima, os pulmões reclamam por oxigênio, cheios de fumaça. Escuridão, fadiga, e depois: desmaio, morte. Pobre homem, pobre marido – pobre pai – nada pode fazer em auxílio a sua inocente filha. Uma recém-nascida, quase um anjo. Quase um anjinho, como seu próprio anjo-da-guarda: um querubim, rechonchudo, pele alva, nas costas pequenas asinhas de algodão. Bem, e a casa... a casa desaba. Muito fogo, estalidos. Mas antes, o querubim não deixou de fazer seu trabalho. Suas asinhas de algodão queimaram. Sua pele alva, ficou toda chamuscada. Os caracóis de seu cabelo, encarapicharam, com o fogo. Nos braços ele leva a recém-nascida, por entre as chamas. O anjinho-da-guarda também é valente. Fogo, muito fogo, estalidos. A casa desaba, a final. Já fora e livre das chamas, o querubim deposita o bebê, a salvo, diante dos braços do pobre homem, do pobre marido – do pobre pai. A casa, milagrosamente, não havia desabado sobre ele. Como em respeito a sua valentia, não lhe soterrara. Os bombeiros chegam. Extinguem o fogo. Os vizinhos lamentam a tragédia. Os soldados do fogo vasculham os destroços. De repente, admiram-se, bradam alegres. Todos se aproximam. Vêem a recém-nascida, chorando diante dos braços do pai, morto. Bradam a Deus pela graça! Vangloriam o valente homem, valente marido – valente pai. |